O tamanho do mercado de vinhos em 2014

Você sabia que o Brasil importou 9.000 conteiners de vinhos em 2014? Isso dá 108 milhões de garrafas!

E que o mercado cresceu mais de 12%? Veja essa informação e a análise sobre os principais países exportadores que Adão Morellatto (consultor de trading – que faz importações e exportações) acabou de mandar.

Vale a leitura para entender um pouco melhor o nosso mercado de vinhos.

Em Julho já havia apresentado uma análise preliminar de que em 2014 nos surpreenderia como um todo neste segmento, contrariando as expectativas negativas de copa do mundo, economia com crescimento ínfimo, movimentos e distúrbios de rua no primeiro semestre, calor constante e persistente, ano de eleições e uma grande e preocupante crise no setor estatal, obtivemos um crescimento de 12,15 % sobre 2013, lembrando-os que em 2013 tivemos uma retração de -3,22%. Vale observar também que findo o ano, consolidamos as 3 tipologia de vinhos (champagne, espumantes e vinhos finos como um todo) para uma análise e interpretação mais intrínseca.
Em valor estamos próximo de um montante de USD 325.000.000,00 e algo como 9.000 conteiner de 1.000 CX/12, somente por estes números dá-se para imaginar o tamanho, complexidade, versatilidade, dinâmica e valores que envolve este setor. Levantando os dados de 2007 x 2014, a performance foi 93,45% ou uma média ponderada de 13,35% anual. Poucos e segmentados produtos cresceram nesta proporção. E ainda há o fator cambial, que em 2014 aumentou em quase 15%. Haja fôlego, competência e capacidade operacional para administrar isto.
Aqui mostramos como cada país se manifestou em 2014:
1º CHILE –  Sim, sempre ele, creio que aqui não haveria dúvidas, mas em 2014 ele pisou no acelerador e avançou mais uns passos rumo a expectativa de dentro em breve dominar 50% do mercado brasileiro de vinhos finos…..está bem perto disto. Notem que se considerar somente o tipo vinho fino, ele representa quase 46,40% em valor, porém no consolidado, retraio-se um pouco para 35,30% em valor e 44,39% em volume. Seu preço médio está 25% mais econômico que os vinhos argentinos.  O crescimento em 2014 foi de 25,59% alavancado principalmente pela estratégica das grandes empresas chilenas em priorizar os 5 mercados chaves: USA, Reino Unido, China, Japão e Brasil. Somente os 2 maiores player´s: Grupo Concha y Toro e San Pedro representaram 39,82% em valor e 46,22 em volume do mercado brasileiro.
2º ARGENTINA –  Sofre com as políticas econômicas implantadas e mantidas pelo governo atual, que penaliza a produção e não dá sustentabilidade e condições de crescimento, devido as constantes crise de abastecimento, o que tem prejudicado todo os setores envolvidos:  empresas de insumos e implementos agrícolas, garrafas, etiquetas, papel e papelão, plástico, cortiça e maquinários, pelas altas taxas, inflação em elevação, inexistência de custeio e crédito e indisponibilidade de moeda estrangeira, logística ineficiente e precariedade das rodovias. Contrariando os prognósticos locais, apresentou um crescimento de 9,52% e sua participação caio um pouco, hoje estabelece-se nos patamares de 17% de volume e valor. Ainda não equiparou-se com o montante de 2011.  Enquanto Chile manteve seu preço médio em USD 3,20 p/ litro, na Argentina houve um aumento de 3,08%, chegando a USD 4,01 p/ litro. Caso hoje a Argentina não fosse beneficiada pela redução de tarifas aduaneiras devido ao Acordo Mercosul, ficaria muito difícil sua performance no ponto de venda. Visivelmente seus preços, principalmente nos grandes Hipermercados estão muito próximos dos europeus.
3º FRANÇA  –  Conforme informado no ano anterior, devido a formatação desta análise, este exportador apresenta-se neste ranking, devido ao valor de seus produtos atingirem quase 15% de participação, mesmo com um índice em volume de apenas 5,85%. Seus produtos tem um preço médio de USD 10,30 p/ litro, influenciado pelo alto valor agregado do champagne, que sozinho representa 37,82% de toda exportação, embora tenha apresentado uma queda na exportação de -9.48%. Como um todo cresceu em 2014, apenas 4,62%, quase idêntico aos números apresentados em 2013.
4ª PORTUGAL  –  Por uma pequena diferença, situa-se nesta posição, incentivado pelas influências e ações que realizam aqui, até mesmo abertura de filiais por aqui (Sogrape), pois as constantes e repetitivas mudanças de representantes e distribuidores aqui, os tem  levado  a considerar a possibilidade de continuar o processo de distribuição de forma direta (vide Conha y Toro). Participa com quase 12% de Share, com crescimento de 4,50% e preços médio de USD 3,88 p/ litro.
5º ITÁLIA  –  Em recuperação após um 2013 de queda, em 2014 cresceu 3,97%, com participação bem próxima de Portugal, exatos 11,13% em valor e de 11,68% em volume. Já não há tanta influência do vinho tipo Lambrusco que chegou a representar quase 50% de todo o volume de vinhos deste país há alguns anos atrás. O Vinho Prosecco representa 12,34% de market share, no seu montante total.  Como tem a mais diversificada e complexa tipologia de vinhos que se conheça, tem trabalhado nesta linha de conceitos, vinhos tradicionais, autóctones e dissiminadores de sua cultura e estilo. Podemos encontrar no mercado esta vasta optatividade enológica, que é na verdade é sua grande riqueza e legado.
6º ESPANHA – Uma surpresa este player, em 2014, contrariando os anos anteriores, apresentou uma ligeira queda de quase -1%, só não caiu mais, devido ao vinho (CAVA) ter crescido sua participação em 16,06%, representando 26,17% na totalidade. Ainda não colhemos os reais fatores que levaram a queda, embora tivesse baixado um pouco seu preço médio de USD 4,79 p/ litro. De 2007 há 2014 vinha apresentando um crescimento a uma média de 31% ao ano. Ainda é conceituadamente onde se encontra a melhor relação custo x benefício. A paridade Euro x Dólar, tem sido também um fator determinante no baixo crescimento dos vinhos europeus em detrimento de outros fornecedores atrelado a moeda Dólar.
DEMAIS PAÍSES:  Apresentam menos de 5% de participação, com destaque evolutivo para os países: Alemanha = 16,72%  / Africa do Sul =54,95% / USA = 47,90%, queda abrupta da Austrália em 69% e Uruguay que patina nos números idênticos ao ano de 2007.
Qqr dúvida ou necessidade de mais dados específicos, favor comunicar-me.
Análise de minha única e inteira responsabilidade e competência, estando liberado para divulgação, comunicação e publicação, respeitando obviamente seu conteúdo na íntegra.
Abs
INTERNATIONAL CONSULTING
ADAO AUGUSTO A. MORELLATTO

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