Por dentro da casa de Champagne Bollinger

A Bollinger (fala-se bolangê) é uma das casas de Champagne que eu mais admiro, não só pela história – que fiquei conhecendo lá em minha visita – mas principalmente pelos seus cuvées, que são fantásticos.

A história da Bollinger começa em 1829, quando Jacques Bollinger se uniu a dois comerciantes de Champagne e começa a produzir seus próprios espumantes. De lá para cá, algumas mudanças de nomes, mas a casa ficou famosa mesmo quando a Sra. Elisabeth Law de Lauriston-Boubers (mais conhecida por Lilly), esposa de Jacques, assume o controle da empresa após a morte prematura do marido. Ficou conhecida como Madame Bollinger e até hoje é reverenciada pelo pessoal que trabalha lá (e por mim também, porque o trabalho que ela fez foi incrível).

A Bollinger é uma casa pequena e muito bonita. Para se ter uma idéia, não há nem um departamento de visitação para turistas. Os apontamentos são feitos para profissionais e são conduzidos por pessoas que trabalham por lá em outras áreas e a paixão pelo que fazem é nítida no rosto de cada um. Atualmente eles têm 164 hectares, uma quantidade até boa, mas que obviamente é preciso comprar uvas de outros para completar a sua produção.

Logo ao chegar, vê-se um pequeno vinhedo, que eles chamam de “Museu a céu aberto”, pois são (poucas) plantas das variedades permitidas por Champagne que datam da época antes da praga filoxera. Ou seja, são os tão famosos pés-francos. Esses pés ainda produzem e são utilizados vez ou outra para fazer alguns dos melhores cuvées da casa.

Falar da Bollinger e não falar de James Bond, o famoso espião a serviço da rainha, é impossível. Quem já assistiu (e alguém nunca assistiu) um filme do 007 sabe que o champagne que ele bebe é Bollinger. Essa história começou por conta da amizade do produtor dos filmes com a família Bollinger, que ganhou um ótimo garoto-propaganda. Uma das salas onde se vê as antigas prensas, que nem são mais usadas, pode-se ver também algumas das peças de publicidade que usam, como aquelas em que se coloca a cabeça em um quadro vazado, onde você terá a cara de James Bond.

Outra curiosidade sobre a casa é que por lá se usam barricas de madeira da floresta da região e eles são provavelmente a única casa que tem um toneleiro – o profissional que cuida da manutenção das barricas – próprio, trabalhando lá o tempo todo. Isso resulta em um cuidado extremo com a qualidade dos barris. Nas fotos abaixo dá para ver as ferramentas utilizadas por ele, que por mais tecnologia que tenhamos hoje, o homem ainda prefere esses artefatos mais antigos e que pelo jeito funcionam.

Em suas caves subterrâneas que se estendem por quilometros, é possível ver uma enorme quantidade de champagnes sendo guardados. De novo aí podemos ver um cuidado especial que eles têm com a sua produção: em Champagne há regras específicas sobre o tempo de guarda para cada tipo, por exemplo um Non Vintage deve ficar pelo menos 15 meses guardado em caves antes de ser liberado para o mercado. Na Bollinger todos os tempos são maiores, tendo champagnes que ficam mais de 8 anos guardados antes de serem colocados a venda.

Por todos esses motivos é que eu me encantei com a Bollinger. Aliás, me encantei mais, porque o Bollinger Special Cuvée é um de meus preferidos sem dúvida.

E claro, depois de toda a visita, fiz uma degustação que teve direito a um champagne mais do que especial. Um R.D. 1990 que estava fantástico, realmente impressionante.

Veja abaixo uma breve descrição dos que eu provei, mas mais do que isso, veja o site da Bollinger. Lá tem toda a informação em imagens muito bacanas. E se gostar de Champagne, não deixe de provar os deles. Quem sabe você também não se sente um 007?

Special Cuvée
Aroma bem leve mas com aquele toque de fermento bastante típico. Na boca é muito elegante e longo. Gastronômico e leve.

Bollinger Rosé
Cor rosa claro (ou casca de cebola) e no nariz é leve e fácil, com aromas de frutas vermelhas leves e um toque lembrando os bons borgonhas. Na boca é leve e fácil de beber, com sabores de frutas, ruibarbo, rosas.

La Grand Année 2004
64% Pinot Noir e 36% Chardonnay. 100% vinhedos Grand Cru.
Champagne muito elegante, para uma boa comemoração ou um jantar com comidas mais complexas.

R.D. 1990
Champagne já com toques de envelhecimento, mas ainda muito vivo. Trufas no nariz e na boca dão a elegancia ao cuvée. Pronto para ser bebido, mas é possível guardar ainda.

Um abraço

Daniel Perches


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