Jean Pascal Lacaze, o enólogo sincero (e premiado)

Ontem tive o grande prazer de conhecer Jean Pascal Lacaze, um francês que mudou-se para o Chile para fazer vinhos. Até aí, nada de muito diferente de vários outros que conheço que saem de seus países para cuidar de vinhedos em terras distantes, não fosse pelo fato de esse ter trabalhado em lugares como o Chateau Pavie, ao lado de Patrick Valette, sem dúvida um grande nome do mundo do vinho e ser o enólogo da Clos Quebrada de Macul, a vinícola que faz o aclamado Domus Aurea, que acabou de ser eleito o melhor vinho do Chile pelo Guia Descorchados.

É sempre bom conversar com grandes enólogos, porque aprendemos muito com eles e com o Jean Pascal não foi diferente. Super sincero (como um bom francês), Jean contou sobre seus vinhos, conversamos sobre mercados, trocamos idéias e links de sites interessantes e claro, comemos e bebemos muito bem.

“Não quero fazer vinhos que chamem a atenção, quero fazer vinhos que falem por si e durem na cabeça das pessoas”. Com essa frase, esse franco-chileno começou a conversa e já mostrou a que veio. Pontuações são importantes e claro que envaidecem quem recebe, mas não podem ser o principal direcionador da vida de um enólogo. E complementa: “Quem quer trabalhar com pontos deve ir para o mercado de ações. Vinho não é ponto, é emoção”.

triangleCom essa ousadia, Pascal faz grandes vinhos. Sua paixão é o Cabernet Sauvignon, que ele com certeza faz muito bem. Provamos o Peñalolén Cabernet Sauvignon 2010, um vinho de entrada que deixa muitos vinhos de preços mais altos no chinelo. Leve, fácil de beber e com os aromas bem equilibrados, fazendo dele um vinho para começar e não querer parar de beber. Na sequencia ele trouxe o Peñalolén Azul Blend 2009, uma mescla de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Petit Verdot e Merlot. Mais complexo e com mais taninos aparecendo, é um vinho que pede comida e que ao terminar de comer e beber, eu sempre voltava nele para ver como evoluia. Na sequência, o Triangle Reserva Cabernet Sauvignon, que foi o meu eleito como a estrela da noite. As uvas vêm de uma região chamada Cauquenes, que Jean encontrou junto com outros dois amigos e fizeram esse vinho em um projeto paralelo chamado “Crazy Wines“. O vinho é fantástico e trouxe aromas que eu nunca tinha sentido em um Cabernet Sauvignon antes. Uma obra prima que precisa ser provada. E para terminar provamos o Peñalolén TEZ 2010, que também é fantástico.

Como sempre pergunto aos enólogos que nos visitam, questionei se ele já tinha provado algum vinho brasileiro e veio então mais uma bela história. Disse-me que provou espumante Geisse (nada mal) na companhia do editor da Wine&Spirits, em uma apresentação de seus vinhos em conjunto com o Chateau Latour. Depois de toda a apresentação, sentaram para beber espumantes e o nosso querido Geisse foi o escolhido. Que bom que ele conheceu um bom produto nosso.

Independente de se ter grande pontuações ou não, Pascal é um sujeito para ficarmos de olho. Esperto, inteligente e com opiniões muito bem formadas, é sem dúvida um enólogo que tem um grande futuro. E quem ganha somos nós, com seus vinhos.

E se quiser provar os vinhos dele, aqui no Brasil eles são vendidos pela Vinos y Vinos e o Domus Aurea é importado pela Zahil.

Um abraço

Daniel Perches


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