[Vinícolas da Argentina] Trapiche

A região de Mendoza tem mais de 1300 vinícolas cadastradas. Seria praticamente impossível de visitar todas. Eu estive lá algumas vezes e sempre quando volto saio com a sensação de ter deixado pra trás uma que eu gostaria de conhecer.

E na minha última visita pude finalmente conhecer a Trapiche, que é uma das maiores, sem dúvida. Eu já conhecia alguns dos vinhos, mas ao visitar a vinícola a gente acaba ganhando outro olhar sobre os vinhos, além, é claro, de poder ter informações do pessoal de lá, do enólogo e de toda a equipe.

Fiquei impressionado com o tamanho da Trapiche e com a história deles. A vinícola foi fundada por um italiano apaixonado por vinho, que mudou-se para Mendoza e começou a trabalhar por lá. Tornou-se rapidamente uma potência, a ponto de ter a sua própria linha de trem (hoje desativada) para transportar os seus vinhos para outros lugares.

A Trapiche hoje tem 1.200 hectares (é muita terra), exporta para 85 países e pra mim, tem qualidade de sobra. Se for a Mendoza, considere a visita à Trapiche. Vale a pena pela história e claro, pelos seus vinhos.

Veja alguns que eu provei e recomendo.

Broquel Torrontés 2010
Corte de 95% de Torrontés e 5% de Sauvignon Blanc. Verdeal, com aromas de frutas leves e um toque herbáceo. Não é tão ácido na boca, fácil de tomar. O Sauvignon Blanc faz um pouco de diferença aportando frescor e aromas mais intensos.

Finca las Palmas Chardonnay 2009
Fermentação na barrica com levedura indígena. Dourado intenso e bem brilhante, passando 9 a 10 meses em barrica.
Manteiga, cacau, fruta e um toque mineral. Na boca tem uma ótima acidez, não é um vinho que cansa. Final bem justo, sem nada de amargor.

Broquel Bonarda 2009
Muito intenso, aroma de frutas vermelhas, leve aroma de álcool, herbáceo. 15 meses em barrica trazem bons taninos e acidez. Final médio. Um vinho para se beber despretensiosamente.

Broquel Cabernet Franc 2009
Um dos que eu mais gostei. Muito intenso na cor, pimenta, folha de tomate. Bem estruturado, mas sem cansar. Recomendo.

Finca las Palmas Cabernet Sauvignon 2007
Outro que me encantou. Uvas vindas do Valle do Uco fazem um vinho elegante, com aromas típicos, mas que aparecem com delicadeza. Boa acidez, potencial de guarda. 18 meses de barrica francesa.

Iscay 2008
Significa 2 em linguagem indígena.
35% de Merlot e 65% de Malbec. Muita estrutura e potência. É um grande vinho de guarda. Provei ele ainda fechado, mas com o tempo abre e traz aromas de especiaria, carne, animal, couro, muito equilibrado.

Trapiche Manos 2005
É vinho ícone e só poderia ser feito com Malbec. Chama Manos porque 70% do vinho é todo feito a mão e 30% feito pelo método tradicional. São só 6 mil garrafas. Muito complexo, ainda jovem, taninos muito bons, nenhum amargor, um vinho de alta qualidade. Suavidade e força ao mesmo tempo. Herbáceo vai trocando com fruta, madeira e chocolate. Longo, fica na boca um final de chocolate e madeira.

A Trapiche tem uma linha enorme de produtos. Eu provei só alguns, mas a chance de você encontrar um outro que agrade seu paladar é grande. E eles têm também um projeto muito interessante de trabalho com os produtores que vendem uvas para eles, mas isso é assunto para outro post.

Se quiser saber mais sobre a Trapiche, acesse o site deles aqui. A importadora no Brasil é a Interfood/TodoVino.

Um abraço

Daniel Perches

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