Vinhos Casa Marin

Em mais um dos almoços para recepcionar os jornalistas e imprensa, o pessoal da Vinea nos recebeu junto com o Felipe Marín, que veio apresentar os seus vinhos, da sua tão famosa Casa Marin. Esses vinhos são famosos e cultuados aqui no Brasil e eu ainda não tinha tido a chance de conhecê-los. Provei e aprovei. São realmente muito bons e dignos de todos os comentários que fazem por aí.

Abaixo conto um pouco sobre os que eu provei:

Casa Marin Sauvignon Gris 2008
Eu só tinha provado um vinho até hoje feito com essa casta. Fiquei espantado com a sua qualidade. Com uma coloração praticamente translúcida, é um vinho muito fresco, com toques minerais e florais, acompanhando frutas brancas frescas. Tem até um leve frizante, de tanta acidez. Mas não se engane pensando que isso pode ser um defeito, pois o vinho é muito correto em boca, equilibrado e com um belo final. Acompanha perfeitamente um dia de calor, com uns petiscos como anéis de lula, por exemplo.

Casa Marin Laurel Sauvignon Blanc 2008
Com uma coloração palha um pouco mais escura que o Sauvignon Gris (mas ainda assim bastante claro), mostrou aromas típicos dessa casta, lembrando frutas brancas e um toque floral. Bastante fresco. Alta acidez e final médio a longo.

Casa Marin Cipreses Sauvignon Blanc 2008
Produzido com uvas de outro bloco de vinhedos, esse se mostrou ainda um pouco mais escuro que o anterior, mas com a mesma qualidade. Frutas bastante presentes e uma ótima acidez. Vinho para se beber tranquilamente sem se preocupar com comida (só com a companhia).

Casa Marin Riesling Miramar 2007
Acredito que se colocar esse riesling ao lado de outros da mesma casta, vindos do Velho Mundo, ele será facilmente confundido. Toque petroláceo bem presente, pedra de isqueiro, leve floral e frutas em abundância. Um belíssimo riesling, que me lembrou que eu preciso beber mais vinhos dessa casta.

Casa Marin Gewurztraminer Casona 2008
Como os anteriores, esse também apresentou as notas típicas dessa casta, destacando-se o floral bastante aberto (como pétalas de rosas) e frutas brancas, com destaque claro para a lichia.

Casa Marin Pinot Noir Três Viñedos 2009
Esse Pinot Noir mostrou-se jovem e leve, como deve ser. Destacaram-se as frutas vermelhas mais adocicadas. Seu final é um pouco quente, mas totalmente correto. Bom vinho. Ótimo para acompanhar carnes leves.

Cartagena Carmenere 2009
Frutas tropicais vermelhas deram o toque adocicado para o vinho, que me pareceu um bom representante dessa que é a casta emblemática do Chile. Sinceramente, não me chamou muito a atenção, talvez por ter provado outros tão expressivos, mas é um vinho bastante correto e para quem gosta dessa uva, é uma boa opção, com ótima qualidade.

Cartagena Cabernet Sauvignon 2008
Mais um que não me fez muito a cabeça. Apesar de ter conversado com o Felipe e perguntado pra ele sobre a acidez desses vinhos (que nos tintos me pareceu que faltou um pouco) e ele ter me dito que tem é acidez demais, me pareceu um vinho um pouco leve para o que eu gostaria de ter em um Cabernet Sauvignon. Mas foi muito bem com a carne servida no dia.

Casa Marin Lo Abarca Pinot Noir 2006
Agora a “brincadeira começou a ficar séria”. Esse é um Pinot Noir de respeito. Frutas muito presentes, acidez corretíssima e final longo. Um vinho para se beber tranquilamente, sem pressa. Belíssimo. Vale provar para conhecer bons pinots do novo mundo.

Casa Marin Litoral Pinot Noir 2003
Melhor Pinot Noir do Novo Mundo que eu já provei até hoje. Não posso deixar de falar isso. Fiquei impressionado com a sua qualidade. Um vinho com 7 anos de vida e com muitos ainda pela frente. Depois de aerado um pouco, melhorou ainda mais. Como disse o nosso amigo Ivan (da Vinea), naquela garrafa tem “uns 4 vinhos diferentes”. É só o deixar respirar um pouco e com certeza terá belas surpresas. Esse eu nem preciso comentar, porque sua qualidade fala por si.

Casa Marin Miramar Syrah 2005
Esse vinho apresentou algumas características típicas da uva Syrah, como um toque de especiarias, leve chocolate no final, mas é outro que eu achei que faltou acidez, deixando o vinho um pouco “sem graça”. Mas isso pode ter sido obra do “efeito Pinot Noir Litoral” que eu tinha acabado de provar…

Bem, depois de todos esses belos vinhos, ainda tivemos uma salada com camarões com o Riesling para acompanhar (que foi muito bem harmonizado) e na seqüência um tornedor de filé ao molho madeira, que aí sim, os vinhos Syrah e Cabernet combinaram bem.

Conseguimos uma entrevista com o Felipe Marin, que em breve estará aqui no blog também.

A Vinea tem nos fundos de sua loja um belíssimo restaurante que funciona às noites (sob reserva) e você pode comprar o vinho para beber, a preço de loja. Eu já estou me agendando para ir lá beber mais do Litoral…

Um abraço

Daniel Perches

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4 Comentários

  1. 2

    Daniel,

    Bom dia.

    Desculpe estar revisitano um post antigo mas é que ontem durante uma aula do curso de sommellerie pra enófilos da Alexandra Corvo entrei em uma discussão com a mesma sobre o Cartagena Pinot Noir, da mesma Casa Marin, que está como alvo deste post e fiquei com uma ppulga atrás da orelha. Sei que talve devesse até procurar o email e tentar contatar o produtor mas como vc já o fez e até o entrevistou, achei que seria interessante a discussão por aqui tb, se não se importar.

    A questão principal foi que não chegamos a uma acordo nem tão pouco um concenso sobre o pq de um vinho de uma uva tão delicada, melhor adaptável a climas mais frios, maior dificuldade de maturação, etc. pôde ser vinificada no Chile e ter alcançados incríveis 15% de álcool. Qual sua opnião sobre o assunto e vc chegou a conversar sobre isso com o Felipe Marin?

    Obrigado por dividir tantas informações conosco e continue o bom trabalho.

    Abraços,

  2. 3

    Victor
    Eu não tenho conhecimento profundo sobre a enologia a ponto de dar uma opinião técnica sobre o assunto, mas o que os produtores de lá sempre me falaram é que com a amplitude térmica e a altitude, isso acontece naturalmente. É o que eu posso pensar e isso independe um pouco do tipo da uva.
    Eu não conversei com ele, mas acho que seria uma boa pergunta. Eu vou ver se levanto mais informações sobre o assunto.
    Um abraço
    Daniel

  3. 4

    Olá Daniel, acho que vc provou próprio comentário, o Pinot Noir 3 vinhedos e não o Lo Abarca.

    O Lo Abarca, é realmente um grande vinho, mas a coloração do que eu provei em minha casa, e muito mais escura, e com concentração de aromas e de madeira muito maior.

    Inclusive a garrafa do Lo Abraca, tem um rótulo um pouco diferente com o nome ” Lo Abarca Hills Vineyard” escrito abaixo do nome Casa Marin, e sua concentração de álcool é de 15º.

    Inclusive uma diferença muito aparente é que no Lo Abarca, o fechamento se dá com Rolha de cortiça maciçã, e no 3 rios, com Screw Cap.

    Recomendo que veja também a diferença do formato das garrafas no site da Wine neste link: http://www.wine.com.br/casa%20marin/vinhos/chile/cVINHOS-atPAIS_CHILE-b100904-p1.html

    Clicando e depois clicando novamente na imagem da garrafa, dá para notar a diferença no formato, sendo o Lo Abarca, mais abaulado e com gargalo mais fino…

    Abraço,

    Rodrigo.

  4. 5

    Rodrigo, me desculpa, mas eu não entendi o comentário. Você tá falando de quando eu mandei lá para o Tumblr uma foto do vinho falando que parecia Syrah? Só para eu me situar e responder direito, senão vai virar papo de louco! 🙂
    Abraço
    Daniel

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