Vinho: quanto mais velho, melhor?

Acaba de sair mais uma coluna no Jornal Bleh, replicada aqui abaixo. Para o link original, clique aqui.

Vinho: Quanto mais velho, melhor.

Por Daniel Perches*

Você com certeza já ouviu essa frase aí em cima algumas vezes,não é mesmo? E é com essa afirmação que muita gente vive, até durante a vida inteira, sem saber se é verdade ou não.

Então está na hora de contar para vocês que (na maioria das vezes) NÃO É VERDADE. Mas para explicar, é necessário conhecermos um pouco algumas informações. Em primeiro lugar, existem sim vinhos que duram muitos anos. São os chamados vinhos de guarda. E ele não tem muita coisa diferente do vinho que não deve ser guardado por anos a fio não. A diferença básica está no tratamento que o vinho recebe desde que ele é uva até ir para a garrafa. Um vinho de guarda necessita de alguns cuidados (e investimentos, claro), para que possa agüentar bastante tempo engarrafado. Pra falar a verdade, esses vinhos, que em geral são bastante caros, se forem bebidos jovens (poucos anos após serem produzidos) nem serão tão saborosos quanto imaginamos.

Agora uma outra informação muito importante: mais de 90% de toda a produção de vinhos do mundo é feita para consumo praticamente imediato. Para ser mais exato, essa proporção chega próximo de 95%.

E por que isso? Bem, são muitos os fatores, mas podemos destacar dois que são importantes:

1)      Os consumidores não querem comprar uma garrafa e ter que armazená-la por 10 anos antes de beber.

2)      Os custos seriam altíssimos e não teríamos vinhos de, por exemplo, R$ 15,00 nas prateleiras dos supermercados

Mas então como identificar quando é a hora de beber um vinho? Isso não é tarefa mais simples, mas de forma geral, podemos pensar da seguinte forma:

Vinhos Brancos e Rosés – no máximo 3 ou 4 anos depois de engarrafado (em 2010, prefira então vinhos produzidos a partir de 2006)

Vinhos Tintos – em geral, esses vinhos agüentam mais tempo em garrafa, então podemos assumir que até 5-6 anos não teremos grandes problemas.

Espumantes – como eles não precisam ter um ano de safra identificado no rótulo, fica mais difícil, mas pense que eles devem ser consumidos jovens também. A exceção fica para os que apresentam ano no rótulo. Esses, em geral, são mais longevos, ou seja, agüentam mais tempo.

Vinhos do Porto – Esses são produzidos para agüentarem mais tempo, mas existem diversos tipos de vinhos do Porto. Aqueles que apresentam “Ruby” e “Tawny” em seus rótulos são os mais jovens. Eles agüentam um bom tempo, mas você vai extrair o melhor deles se consumir imediatamente.

Concluindo, quando você comprar um vinho, principalmente branco, trate de armazená-lo bem (pois isso é fator de grande importância para a vida do vinho) e não o deixe lá na sua adega por décadas, pois pode ser que você tenha a surpresa de ter ganhado um belo vinagre.

Um brinde

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