Selo Fiscal para os vinhos – Quem vai pagar essa conta?

Nessa quinta-feira, dia 25/03, o ministro da Fazenda, Guido Mantega anunciou oficialmente a criação de um selo fiscal para o vinho brasileiro, durante uma reunião com uma comitiva de empresários e lideres do setor, em Brasília. A intenção, segundo nosso querido ministro, é formalizar o setor, melhorando a competitividade da bebida produzida no país.

Longe de querer discutir política (até porque sinceramente não tenho capacidade para tanto), mas fico me perguntando: QUEM VAI PAGAR ESSA CONTA?

Enquanto nós, consumidores fiéis do vinho, lutamos para que os produtores e os importadores baixem seus preços para que possamos ter mais acesso à nossa tão amada bebida, somos pegos por essa notícia tão avassaladora.

Peço desculpas aos amigos leitores pela minha enfatização, mas é de desanimar ver tamanha bobagem como essa. Esse tal selo já foi tentado em diversos países e regiões e NENHUMA, repito, NENHUMA considerou positiva a adoção.

O selo fiscal visa, teoricamente, a tal “regulamentação do setor”, mas sabemos que na prática isso vai se tornar somente mais um dos altos impostos a que a bebida é submetida no Brasil.

Sendo assim deixo aqui a minha indignação pública e repito a minha pergunta, para que fique registrada: QUEM VAI PAGAR A CONTA?

Um abraço

Daniel Perches

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5 Comentários

  1. 1

    Putz! Muito triste isso… Estava hoje mesmo indignada, vendo os preços dos vinhos no Brasil. Parece que a gente dá sempre um passo pra frente e dois para trás né?!

  2. 2

    Pois é, Helena, muito triste mesmo. Quem sabe um dia o pessoal não acorda e muda isso. Enquando não acontece, fazemos o nosso papel, nos indignando e protestando!
    Abraços
    Daniel

  3. 3

    Caro confrade Daniel, tudo bem? Achei muito bacana seu artigo, mas tenho minhas dúvidas de que a adoçao do selo será algo negativo (ou inteiramente negativo). Porque, convenhamos, sabemos da imensa informalidade que existe no mundo do vinho (e no Brasil de maneira geral), em diferentes níveis da sua cadeia produtiva e comercial. Então, se por um lado o preço dos vinhos pode aumentar um pouco (o que poderia não acontecer se isso fosse compensado com a diminuição de alguns impostos), por outro alguns importadores não vão mais conseguir trazer conteiners de vinhos declarando a US$ 1 o preço da garrafa e revendendo a R$ 150 (lembra do caso Daslu/Expand?), certo? Nem comerciante vendendo na sua loja vinho trazido debaixo do braço do Panamá, do Paraguai ou do Free Shop mais próximo sem pagar nenhum imposto, enquanto eu pago tudo corretamente. Se isso realmente acontecer, acho que será positivo. O que você acha?

    grande abraço e parabéns por levar essa importante discussão ao seu blog!

  4. 4

    Fala Tiago.
    Que bom que você abordou o ponto. O que eu quero ressaltar é que o selo em si não vai resolver o nosso problema. O importador que compra a US$1 e revende a R$ 150 vai continuar fazendo isso, e agora, já que terá que pagar por esse selo, vai cobrar talvez mais.
    Temos uma carga de mais de 50% em cima dos vinhos aqui no Brasil, o que por si só já é algo no mínimo ultrajante. Pra onde vai esse dinheiro? O que é feito com ele? Criar o selo por si talvez seja realmente uma boa iniciativa, mas o meu ponto é que não vai resolver o problema. Talvez pudessemos investir então em fiscalização, ou até mesmo em incentivos para a importação legal do produto. Não seria melhor para todos? Beberíamos vinhos com procedência, com impostos pagos e com valores menores.
    Enfim, meu amigo, a discussão é longa e agradeço a sua opinião. Você, como lojista, deve sofrer muito com isso. Talvez seja um bom papo para o nosso próximo encontro.
    Um abraço
    Daniel

  5. 5

    Daniel, como sempre nós vamos pagar o famoso custo Brasil. Aliás, nós e os pequenos produtores que não terão como se adequar a mais esta exigência.

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