Espumante Santa Carolina Brut

É fato que os espumantes nacionais estão dando show por onde passam. E realmente, a qualidade tem sido praticamente imbatível.

Mas eu gosto bastante de garimpar e encontrar novos rótulos. A gente não deve nunca fechar a nossa cabeça para os vinhos. O legal é sempre provar novos rótulos.

E foi assim que eu encontrei o Espumante Santa Carolina Brut, no Pão de Açúcar. Eu nunca tinha visto esse espumante por lá (ou pelo menos nunca tinha reparado) e resolvi arriscar.

Esse é feito 100% com a uva Chardonnay, produzido no Vale Central, no Chile. E como eu não agüento muito tempo com meus espumantes guardados, eu comprei e já abri. Resolvi harmonizar com um churrasco “de apartamento”, feito com espetinhos de lingüiça e de queijo coalho.

Mas antes vamos falar sobre o espumante. Com uma coloração amarelo palha, com reflexos dourados, tem uma espuma boa, mas seu perlage deixou um pouco a desejar. Suas bolhas, apesar de contínuas, não eram muito abundantes.

No nariz apresentou aromas de frutas secas como damasco e alguma semente, lembrando castanhas. Há também um leve adocicado no final do aroma.

Em boca mostrou uma boa acidez (mas nada excepcional), mas um leve amargor me incomodou um pouco.

A harmonização foi muito bem. Tanto o queijo quanto a lingüiça se deram bem com ele e até o amargor foi amenizado.

É um espumante interessante, mas que eu não beberia sem acompanhamento. O churrasco o melhorou sensivelmente.

Como falei, é encontrado na rede Pão de Açúcar, por um valor em torno dos 23 reais. Parece-me um valor justo pra esse espumante.

É, meus amigos, mais um ponto para os nossos espumantes.

E pra encerrar, deixo a pergunta: será que aqui é a terra do Merlot mesmo?

Um abraço

Daniel Perches

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2 Comentários

  1. 1

    Daniel,

    temos muitos problemas em relação ao clima, que normalmente não permite que nossas uvas cheguem a um bom nível de maturação, algo que não acontece no Chile, por exemplo.

    Não seria o caso de apostarmos mais nos cortes? Assemblage é, na essência, a arte de corrigir as fragilidades de uma uva através de outra. Por isso há uvas para dar corpo, para conferir cor, para aumentar os aromas etc.

    Falar que temos uma “uva emblemática” significa que as safras desses vinhos sejam quase sempre ótimas safras, o que não acontece. Qual a última grande safra de merlot? Foi em 2005. De la pra cá será que nossos vinhos merlot sempre tem mais qualidade que os CS ou CF, por exemplo?

    Acho que nos cortes pode estar nosso futuro. Mas aí temos que educar o consumidor, que acha que a “mistura de uvas” é indicativo de má qualidade do vinho.

    Saúde!

  2. 2

    Gil, concordo com você. Realmente apostar em uma “uva emblemática” é um tanto quanto arriscado…
    Abraços e obrigado pelos seus ótimos comentários.

    Daniel

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