Conheça a incrível história de Jean-Luc Thunevin e seu Chateau Valandraud

Estive recentemente em uma degustação que para mim será histórica. Foi uma vertical de 5 safras do Chateau Valandraud, que foi apresentada no International Tasting da Revista ADEGA. Só a degustação por si já seria demais, porque o vinho é sensacional, mas nós acabamos ganhando um pouco mais quando conhecemos a história do casal Jean-Luc e Murielle Andraud Thunevin e essa eu preciso contar para vocês.

Jean-Luc e sua esposa são franceses, trabalhavam em banco e um dia resolveram passar férias em Bordeaux. Como queriam mudar de vida e ter algo mais tranquilo, foi conversando com o pessoal da cidade e rapidamente foi convencido a mudar pra lá. Como comprar uma terra em Bordeaux é praticamente impossível, abriu um winebar e foi trabalhando, juntando dinheiro para depois conseguir uma pequena parcela para fazer seus próprios vinhos.

Comprou inicialmente 0,6 hectares e como não eram do ramo, ficavam indo nas vinhas todos os dias para terem certeza que daria tudo certo e também para que seus vizinhos pudessem conhecê-los. Começou vinificando na garagem de sua casa mesmo.
A tática deu certo e em 1992 o crítico Robert Parker ficou curioso para saber quem era o casal que fazia vinho na garagem. Provou os vinhos e neste anodeu a maior nota de todos em Bordeaux. Em 1993 repetiu-se isso.
Com isso os vinhos Valandraud explodiram no mundo inteiro e hoje eles têm a assessoria de Michel Rolland e contam com um time enxuto, mas bem maior do que era anteriormente.
Outro ponto curioso é que desde o começo, Murielle Andraud (esposa de Jean-Luc) é quem está nos vinhedos o tempo todo. Tem duas parcelas que só ela que entra e faz a poda. Ela que decide quando vai ser colhida e ai de quem resolver colocar as mãos nas plantas dela. Se você conhece uma mulher geniosa, sabe que isso pode dar muito errado.
E assim fez-se a fama do Chateau Valandraud que eu pude provar e tentar entender um pouco mais. Explicar com palavras é bem difícil, pois são vinhos que falam por si e que, mais do que trazerem sensações, trazem emoções.
Não é um vinho barato (e nem acho que alguém aí estava esperando ser), mas valem muito a pena conhecer, para quem puder comprar. Abaixo tem um breve (breve mesmo!) descritivo do que percebi em cada vinho. Se conseguir beber um Valandraud com um pouco mais de idade, vai ser melhor. Senão pode comprar um mais jovem e guardar um pouco também.
2004
Ainda tem bastante fruta, cereja e cassis. Madeira muito bem integrada e não aparece muito. Elegante na boca e com o corpo médio perfeito.
2005
Parece que está no seu auge, já mostrando um pouco de evolução mas ainda com fruta. Final muito longo e com uma acidez muito na medida.
2006
Toques de chocolate que saem abundantemente quando se mexe a taça. Na boca ainda tem muito tanino e é um vinho novo, que certamente vai evoluir.
2009
Super potente e encorpado. Esse vinho precisa ser guardado pois certamente depois de alguns anos a mais vai ser exuberante. Ótima safra.
2010
Considerada uma das melhores safras para o Chateau. Ainda fechado e precisa de horas de decanter para abrir. Frutas negras, cassis, toques de barrica ainda perceptíveis.

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