Catena Alta Malbec 2005

Após dois (longos) anos guardado em minha adega, chegou a hora de abrir o Catena Alta Malbec. Esse vinho foi comprado por engano para um dia de confraria e eu acabei o deixando repousar um pouco antes de abrir. Gostei de todos os vinhos da Catena Zapata (uma das maiores e mais famosas bodegas da Argentina) que eu já provei até hoje e tinha certeza que esse, que é um dos tops deles, não me decepcionaria.

Produzido 100% com a uva Malbec proveniente de diferentes parcelas de vinhedos em Mendoza, passa 18 meses em barricas de carvalho antes de ser engarrafado. É certamente um vinho de guarda e de longa vida pela frente. Mas como acontece com a maioria dos meus vinhos, eu não consigo deixá-los quietos por muito tempo. Aliás, eu realmente queria ter mais paciência para esperar, afinal de contas gosto de vinhos evoluídos, mas depois de certo tempo vai me dando uma “coceira” pra abrir o vinho, que eu não agüento.

Abri então esse, que é uma potência! Eu já esperava algo forte, mas mesmo assim me surpreendi. Logo ao tirar a rolha, os aromas já explodiram, trazendo nuances de café torrado, madeira molhada e frutos negros, com destaque para a jabuticaba, amoras e ameixa.

Sua jovialidade foi comprovada na taça, com uma coloração rubi intensa e intransponível, com um leve halo de evolução.

Voltando ao nariz, o vinho teve uma ótima evolução durante o tempo em que consegui deixar em taça e na garrafa. Foi mais ou menos 1 hora e meia. Sim, eu sei que se eu deixasse mais tempo aerando, ele evoluiria mais ainda, mas não consegui guardar. Ao final da garrafa, aromas de frutos negros se mesclaram a um mentolado, muito prazeroso.

Em boca tem uma ótima maciez de taninos e apesar de seus 14% de álcool, não se mostrou muito quente. Seu final é longo e prazeroso.

Mas é claro que um vinho tão forte, precisa também de comidas fortes. Provei com uma fraldinha marinada, que perdeu feio para o vinho. Depois testei com um queijo parmesão curado italiano, que aí sim foi muito melhor. O adocicado do queijo harmonizou perfeitamente com o vinho, tornando o final doce e complexo. Uma delícia.

Esse vinho é importado pela Mistral e custa em torno de 120 reais. Um preço justo para a sua qualidade. Vale a pena provar, mas como disse, veja bem qual comida que vai harmonizar, pois a sua força não é pouca. Cuidado pra ele não atropelar o seu prato.

Um abraço

Daniel Perches

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