Bodega Filgueira no Uruguai e o seu vinho branco especial

A Bodega Filgueira é uma vinícola uruguaia que vem passando por algumas transformações e o resultado vem aparecendo bem depressa. Em 1999 eles resolveram reconstruir a bodega e passar a fazer a produção de vinhos finos (antes faziam vinhos de mesa) e a mudança não foi só nas instalações, mas também nos vinhedos. Melhoraram a qualidade das plantas (eles têm 40 hectares e toda a produção é feita com uvas próprias), começaram a manejar de forma diferente para fazer o vinho e tudo estava já dando certo.

Não bastasse isso, em 2011 um brasileiro resolveu ofertar a compra da bodega e a família que administrava topou. Novas técnicas de produção aliadas a uma nova direção fizeram com que a Bodega Filgueira passasse então a figurar entre os vinhos de alta qualidade do Uruguai.

Eu estive lá na vinícola e vi o contraste do “antigo e do novo”, pois mantiveram algumas instalações intactas, mesmo que sem uso. A bodega nova é bem tecnológica e percebe-se o cuidado do vinho ao provar. Em 2011 eu já tinha conhecido os vinhos e tinha já ficado atento ao Sauvignon Gris, que me chamou muito a atenção. Voltei lá agora em 2015 e provei alguns outros (veja abaixo) que também valem ser conhecidos.

sauvignon_GrisSauvignon Gris 2012
Cor bem mais intensa e dourada. No nariz tem frutas amarelas quase passas. A Sauvignon Gris é uma mutação natural da Sauvignon Blanc e Filgueira foi a primeira a fazer vinho com esse vinho no Uruguai.

Tannat Cabernet Franc 2011 Rosé
A cor do vinho é muito interessante porque não é aquele clarinho e sim algo mais acobreado, diferente.
Apesar de ser Tannat e Cabernet Franc, não é um vinho muito intenso na boca. Tem bastante tanino (para um rosé) então dá pra beber com uma boa comida.

Cabernet Franc / Syrah 2012
Um vinho diferente. Leve é fácil de beber, sem grande complexidade mas que oferece bons aromas e bons taninos.

Tannat / Cabernet Franc 2013
Já é bem mais intenso de cor do que o anterior. Apesar de serem duas uvas bastante aromáticas,  há uma boa integração deixando ele bem equilibrado. Muito tanino e para um vinho sem barrica até parece forte demais.

Proprium Pinot Noir 2012
Vinho bem escuro, com aromas diferentes de qualquer Pinot Noir, lembrando medicinais. Na boca é muito intenso e tem muito tanino. Pode ser que seja o “Pinot Noir Uruguaio”, que tem suas próprias características.

Proprium Syrah 2013
É o vinho mais novo da linha. Tem um aroma que lembra um pouco os pimentos mas não é super exuberante. Na boca é bem redondo e fácil de beber.

Tannat 2012
Sem passagem por barrica. Me lembra um bom churrasco à beira da piscina. Leve, mas com bastante tanino e adstringência para aguentar uma carne, até sem muita gordura.

Tannat-PropriumTannat Proprium 2011
É o Tannat querido da casa. Bastante macio e fácil de beber. Já tem mais complexidade mas sem ficar aquela coisa super difícil de identificar os aromas. É um vinho para abrir e beber (se possível com uma boa carne).

Reserva Tannat 2011
18 meses de barrica. Já é bem mais complexo no nariz e vem com um toque de geléia de frutas bem intenso. Para beber com calma

Família Nequini Tannat 2011
Primeira colheita desse vinho. Feito para ser o nome da nova família. Estão ainda preparando o vinho e vai ser o ícone da casa. Aromas muito equilibrados e deliciosos. Outro vinho que é para beber com calma e apreciar a força que o tannat pode ter.

Família Nequini Blend 2011
Tannat, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. É um grande vinho, mas me parece que ele precisava de um pouco mais de corpo. Como ainda está novo, talvez ele vá melhorar e ficar mais integrado.

Para conhecer mais sobre a Bodega Filgueira acesse o site deles aqui. A bodega recebe vistas e é preciso agendar (que pode ser feito pelo site mesmo).

Um abraço

Daniel Perches

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