As principais variedades de uvas nacionais

É sabido que não dá pra se plantar todas as uvas em todos os lugares. E é sabido também que algumas uvas se dão muito melhor em determinados solos, terroirs, micro-climas, do que outras.

Prova disso é a Pinot Noir na Borgonha, a Malbec na Argentina, a Carmenère no Chile, a Tannat no Uruguai e por aí vai, com uma lista imensa de exemplos.

O Brasil não foge dessa regra. Temos também aqui nossas variedades que já podemos até chamar de “ícones”. São variedades que não só se adaptaram ao nosso terroir, mas também ao paladar dos consumidores brasileiros. Para os vinhos tintos, temos a Merlot e para os brancos temos a Chardonnay.

merlotA Merlot é uma uva que produz vinhos bastante estruturados e que tem um tempo relativamente bom de guarda. Em geral produz vinhos com uma coloração rubi intensa e com aromas de frutas vermelhas (com destaque para amora, ameixa, framboesa) com um toque adocicado no final, além de algum toque vegetal. Se passado por barrica, adquire aromas de carvalho, terroso, bosque, couro. Em geral os vinhos feitos com a Merlot agradam o paladar devido à sua “facilidade para se beber”, dada a sua acidez equilibrada e seus taninos fáceis de domar.

 

ChardonnayA Chardonnay é a variedade branca mais plantada no Brasil, graças a um boom que ocorreu alguns anos atrás, onde todos os consumidores queriam esse tipo de uva. Serve tanto para fazer vinhos tranqüilos como para vinho base para espumantes. Quando engarrafada sem passagem por madeira exprime aromas de frutas amarelas frescas com destaque para abacaxi, mas também encontra-se aromas cítricos, além de pêra, maçã amarela. Além das frutas é possível encontrar aromas minerais também.

Quando passada por carvalho para afinamento, o vinho feito com Chardonnay torna-se mais untuoso, mais “pesado” em taça, com uma coloração tendendo ao amarelo ouro. Percebem-se então aromas amanteigados, de madeira molhada e até defumados.

O Chardonnay (sem barrica) é um ótimo companheiro para saladas frescas, frutos do mar e entradas leves devido à sua boa acidez e adstringência. Quando passado por barricas pode acompanhar comidas mais pesadas como um molho 4 queijos e até um bacalhau.

Essas são as duas principais castas brasileiras, mas é claro que temos uma infinidade de outras tão boas quanto. Vale sempre a máxima de que a graça do vinho é provar sempre coisas novas. Se você já conhece bem essas duas, que tal provar outras que vêm aparecendo por aí, como a Marselan (tinta) ou a Peverella (branca)? Nunca ouviu falar? Pois talvez então valha a busca.

Um abraço

Daniel Perches

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8 Comentários

  1. 1

    Daniel,

    Seguindo na linha do post, é bom ressaltar, que a Tannat não está se saindo mal aqui no RS.

    Dica : Don Guerino Tannat, de Caxias do Sul ou Farroupilha, não lembro bem.

    Sds

  2. 2

    Paulo

    Tem toda razão. O Tannat deles é muito bom.
    Aproveitando mais então, ontem provei o Marselan da Terragnolo (que ainda está na barrica). Está fantástico. Vou fazer um post sobre ele em breve.

    Um abraço

    Daniel

  3. 3

    É Daniel.

    Êles estão diversificando bastante lá na Serra. Vai ser ótimo saber algo sobre um Marselan, pois ainda não provei nenhum vinho desta casta. Sei que existem outras vinícolas que também utilizam a cepa.

    Deve-se ressaltar a Ancelotta também, com muitos vinhos já elaborados. Em 2009, em uma visita a Pizatto, tive a oportunidade de ver um vinhedo da Egiodola, também implantada na região.

    Sds

  4. 4

    Paulo, do jeito que esse assunto está vingando, acho que daria para fazer um “mês especial” do vinho brasileiro, hein?
    Realmente a Ancellota e a Egiodola estão se dando bem aqui. Eu gostei dos que eu provei.
    Abraços
    Daniel

  5. 5

    Bom Daniel,

    Aí é com você, o Blog é seu. Matéria não vai faltar. Só não se sabe se é do interesse do público em geral, que as vezes, até por falta de informações, não se interessa pelo vinho nacional.

    É lógico que o vinho “made in Brazil” ainda tem um longo caminho a percorrer no cenário global, mas para quem já visitou a região do Vale, pôde constatar o emprendedorismo, e a inovação do setor.
    Sem falar que, é um mercado que tem muito a crescer, pois nosso consumo per capita, é muito pequeno em relação a enorme população.

    Sds

  6. 6

    Paulo, sem dúvida não vai faltar assunto, mas permita-se complementar o que falou: o blog é meu, mas ele só existe com a participação de pessoas como você, interessadas pelo vinho (e pelo vinho nacional, claro) e que se dispõe a discutir esses assuntos com o intuito de melhorar a nossa percepção.
    Obrigado, meu amigo, pela sua constante participação. Fico muito contente quando recebo seus comentários, pois eles me ajudam (e claro, ajudam os leitores) a ter mais motivação para falar sobre a tão nobre bebida.
    Um abraço
    Daniel

  7. 7

    Daniel,

    Existem muitos espaços na Net dedicados ao vinho, mas, gostaria de registrar, que aqui no Vinhos de Corte, você nos incentiva a uma interação, sempre primando, por oportunas colocações neste vasto universo desta “bíblica” bebida. Obrigado.

    Esqueci de citar outra variedade que anda “engatinhando” no cenário nacional : Teroldego.
    Nunca provei, mas já existem alguns produtos no mercado. Vc conhece ?

    Sds

  8. 8

    Paulo, obrigado. Quando falo que esse espaço é “nosso” eu falo de verdade. Aqui a idéia é que possamos realmente discutir, ensinar, aprender… Espero que continue sempre contribuindo.
    Um abraço
    Daniel

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